>Home

>Arquivo de
Projetos


>Informações
técnicas dos
projetos




Destaque: Projeto Coleta Seletiva de Lixo

Coleta Seletiva de Lixo exalta história e cultura na exposição Resíduos e Memória
Ana Cristina Oliveira e Daisy Jorge Pinto

Já tradicional na cidade de Niterói e instalado no bairro de São Francisco, o Projeto Coleta Seletiva de Lixo foi concebido pelo professor Emílio Maciel Eigenheer há pouco mais de 20 anos. A coleta seletiva, como alternativa ecologicamente correta, desvia resíduos sólidos do seu destino em aterros sanitários ou lixões a partir da recuperação de materiais recicláveis. Com isso alguns objetivos importantes são alcançados: a vida útil dos aterros sanitários é prolongada e o meio-ambiente é menos contaminado. O uso de matéria-prima reciclável diminui tanto a extração de recursos naturais quanto o desperdício da produção desenfreada de lixo, além de agregar valor aos materiais que são vendidos.

O projeto de extensão segue o princípio dos 3 Rs apresentado na Agenda 21 por ocasião da Eco92, que trata da redução tanto do uso de matérias-primas e energia quanto do desperdício nas fontes geradoras, da reutilização direta dos produtos e da reciclagem de materiais. Com isso busca causar menor impacto ambiental, evitar a produção do lixo para que ocupe menos lugar no aterro controlado do Morro do Céu e gerar renda para moradores da comunidade carente da Grota do Surucucu,  área vizinha ao bairro.

O bairro de São Francisco, tipicamente residencial, possui uma população de 12 a 15 mil  habitantes, em sua maioria de classe média alta. O local possui essa experiência pioneira, que hoje já é referência e serve de inspiração para outros projetos em funcionamento no País. 

O projeto atrela-se ao Centro Comunitário de São Francisco, que se encarrega da manutenção do projeto, da contratação de pessoal, da venda dos materiais e da aplicação dos recursos obtidos. No início, a venda dos materiais destinava-se apenas aos sucateiros locais, que pagavam preços baixos. Atualmente, graças à busca constante de alternativas para o escoamento dos materiais, o projeto envolve comerciantes mais especializados e indústrias recicladoras.

Os materiais recicláveis (plástico, papel, vidro e metal) são coletados semanalmente por um microtrator munido de caçamba, já separados nas residências, escolas e estabelecimentos comerciais. Depois são entregues diretamente na sede operacional do sistema construída em terreno de 720 m² na Rua Albino Pereira, s/nº, Grota do Surucucu. Material orgânico não faz parte desta coleta.

O aumento da quantidade de material recolhido decorre, sobretudo, do entusiasmo e da adesão voluntária dos moradores do bairro de São Francisco. Essa receptividade possibilitou a extensão do projeto que promove a geração de renda para moradores da Grota do Surucucu, inscritos pelo Centro Comunitário de São Francisco. O dinheiro apurado da venda é depositado na conta do Centro. Há meses em que se chega à venda de três toneladas do papel. A quantidade de resíduos coletados e comercializados é de 26 toneladas/mês, e a quantidade de rejeitos são de 5 a 10% apenas.
           
O projeto de extensão também se estende a alunos e professores da UFF (de engenharia química, ambiental, biblioteconomia, pós-graduação em meio ambiente etc) como campo de estudo e desenvolvimento de trabalhos, sendo fonte de dados para o ensino, extensão e pesquisa na área de resíduos sólidos, meio ambiente e educação. O pátio de triagem é aberto à visitação para escolas em geral.

O Projeto Coleta Seletiva de Lixo como educação ambiental encontrou seu desdobramento junto ao Pólo Universitário de Rio das Ostras, estabelecido numa cooperação com a Prefeitura da cidade.

Centro de Memória Fluminense abriga exposição Resíduos e Memória

Apesar de não ser foco inicial do projeto, há cerca de dez anos vem sendo elaborada uma seleção mais apurada, que tem como preocupação agregar valor a materiais históricos e culturais.

A idéia surgiu com a intenção de se aproveitarem os livros advindos da coleta seletiva, que hoje já conta com 3600 títulos. Havia também uma vasta quantidade de outros materiais, como textos de autores fluminenses, poesias de história local, mapas, cartões postais, coleção de selos raros, fotos de família e álbuns, partituras de música, discos de gramofone, LPs, revistas e periódicos antigos, materiais religiosos, moedas estrangeiras e brasileiras (algumas do tempo do Império) etc. Estes materiais foram selecionados e, então, percebeu-se de que se tratava de um acervo interessante e único que merecia um olhar mais atento. Foi então realizado um contato com o Centro de Memória Fluminense, gerido pela bibliotecária Maria José Fernandes, situado na Biblioteca Central da UFF, no Campus do Gragoatá.

Maria José está sempre no galpão de coleta orientando os trabalhadores envolvidos para a separação dos livros e documentos. Ela explica: nossa tarefa é dar o knowhow, criar uma metodologia, orientar o caminho das pedras para que os catadores possam identificar os materiais que tenham um maior valor agregado e depois contatar instituições ou colecionadores que possam comprá-los e terem uma fonte de renda extra”.

A novidade é a exposição Resíduos e Memória, que busca servir de apoio para  pesquisadores, colecionadores e representantes dos catadores. Na mostra, abrigada no Centro de Memória Fluminense, esses materiais de cunho histórico e cultural podem ser conferidos, inclusive raridades como uma biografia rara de Duque de Caxias, uma publicação do Império das Ordens do Dia da Guerra do Paraguai, um livro raro da história Geral da Bolívia, entre outros. O objetivo da exposição é conscientizar a população para que não despreze materiais que podem ser importantes e que possam chegar às instituições de interesse. O professor Emílio Eigenheer conta quechegou num saco de ração de cachorro uma coleção de selos contendo ‘olho de boi’, um selo que é uma raridade e de grande valor comercial”.

Com bolsistas do curso de Biblioteconomia, Maria José organizou um criterioso catálogo contendo todo este material diferenciado advindo da coleta seletiva para que os colecionadores e as instituições contatadas possam escolher e comprar. A renda é revertida para o Centro Comunitário de São Francisco.

O Centro de Memória Fluminense pretende catalogar e estabelecer contato com museus, instituições ou associações brasileiras ou regionais de numismática, de filatelia ou de cartofilia, para que dêem dicas para melhor identificação, avaliação, valoração e armazenamento dos materiais.

Cristiane, aluna de biblioteconomia e bolsista do projeto de coleta seletiva do lixo, faz a catalogação e o tratamento técnico dos livros, mapas, jornais, selos que chegam. "Em breve devemos mexer com discos. Pesquiso em sites como seria a ficha deste livro, classificação", diz. E acrescenta:  O projeto é muito importante e a experiência de mexer com vários materiais reciclados e para o reuso, colhidos no lixo, é um enriquecimento para a carreira que escolhi”.

Também fazem parte da exposição materiais elétricos e hidráulicos, como porca, parafuso, dobradiças, canos de PVC, entre outros, que podem ser vendidos para reuso em instituições onde haja manutenção e reparos. A exposição ficará aberta a visitação durante todo o mês de agosto, de segunda a sexta-feira, de 9h às 20h, no Centro de Memória Fluminense, localizado no primeiro andar da Biblioteca Central da UFF - Campus do Gragoatá. Informações pelo telefone 2629-2777 ou pelo e-mail do Centro de Memória Fluminense: cmf@ndc.uff.br


Projeto Coleta Seletiva de Lixo
Coordenador: Emílio Maciel Eigenheer

Coleta: segunda a sexta-feira, bairro de São Francisco - Niterói
Pátio de Triagem: Rua Albino Pereira, s/nº,  Grota do Surucucu

Telefones: 2629-2854 e 2710-1820
E-mail: emilioeigenheer@uol.com.br

 

 

 

Centro de Artes UFF - Colégios Agricolas - Creche UFF - Farmácia Universitária - Centro de Controle de Intoxicações - Edital PROEXT - Cursos - Semana de Extensão - Agenda Acadêmica - Programa Interlatinidades - Conexões de Saberes - Oriximiná - PROEX NEWS - HOME